O artista plástico Mário Cravo visitou na manhã de hoje o Tribunal de Justiça da Bahia, onde foi recebido pelo presidente da Comissão de Memória do Tribunal, desembargador Antonio Pessoa Cardoso.
Cravo é o autor da escultura que será inaugurada na próxima segunda-feira, (13), às 10 horas, em homenagem aos 400 anos de instalação do Tribunal da Relação do Estado do Brasil, comemorados no ano passado. A obra será instalada na frente do prédio do Tribunal de Justiça.
Durante a visita, Mário Cravo falou sobre as características da peça e destacou que o monumento é um dos poucos trabalhos de sua autoria que trazem como traço principal a interatividade com o expectador. "Essa não é uma escultura monolítica, é um trabalho que permite que o cidadão participe, penetre, passe por dentro dela", afirmou.
A interatividade foi também destacada pela professora de História da Arte Estética, Maria Cecília Araújo de Noronha, do Paraná, mestra e pós-graduada em Educação e Museologia, ex-diretora de museus e curadora dos acervos de artes plásticas da Secretaria de Cultura do Estado do Paraná.
Na ocasião da seleção dos projetos, a professora citou as formas do monumento, que, segundo ela, se reportam claramente ao IV Centenário do Tribunal.
Mário Cravo falou ainda sobre o processo de criação. "As pessoas não imaginam que o artista faz um levantamento histórico antes da execução. É preciso pesquisar, conhecer, para que esteja situado nos aspectos históricos que darão origem ao monumento", afirmou.
Segundo ele, a obra está alicerçada em símbolos já existentes relacionados à Justiça, como a imagem da balança e da clava. "O meu papel foi reinterpretar os símbolos, rearrumando as formas, buscando uma nova representação metafórica", acrescentou.
Para o desembargador Antonio Pessoa Cardoso, a inauguração é motivo de honra para todo o Tribunal de Justiça. "Ficamos muito orgulhosos de ter uma escultura desse grande artista baiano na entrada do nosso prédio, ainda mais pelo fato de sua obra representar e homenagear a história dos 400 anos do Tribunal de Justiça", afirmou.
Ainda segundo o desembargador, "a obra mostra que o artista observou o povo, a justiça terrena e a justiça divina".
Artista – Mario Cravo Junior nasceu a 13 de abril de 1923 em Salvador. Sua primeira exposição individual foi feita em 1947, com esculturas e gravuras, no edifício Oceania em Salvador. Trabalhou na Universidade do Estado de Nova York, onde, posteriormente, instalou um atelier.
Integrou o grupo de jovens artistas Carlos Bastos, Genaro de Carvalho, Carybé, Jenner Augusto e Rubens Valentin. Trabalhou intensamente em madeira, pedra, metais ferrosos e não ferrosos, martelados e em fusão, com o uso de instrumental de uma nova tecnologia no tratamento com os metais, tais como a solda oxi-acetilénica e elétrica.
Sua temática visita desde o universo vegetal ao estudo de movimento de lutas e danças populares e regionais, e a sua atenção é voltada para o aproveitamento de formas naturais.
Foi agraciado com o prêmio de aquisição jovens escultores na I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1955, quando realiza sua primeira grande exposição ao ar livre com esculturas em madeira e pedra sabão em Salvador.
Em 1960 executa uma série de trabalhos inspirados no tema "Alados" e representa a escultura brasileira na XXX Bienalle Intenazionale D’Arte Venezia. Dois anos após é realizada uma exposição marcante de sua obra no Museu de Arte Moderna da Bahia.
Em 1972 executa para a Prefeitura do Salvador uma escultura – fonte luminosa – na Praça Cairu intitulada "Fonte da Rampa do Mercado", em fibra de vidro com estrutura metálica. Constrói sua residência e atelier no bairro da Federação e concentra-se em esculturas nas técnicas de resinas poliéster e plásticos reforçados.
Entre 1980 e 1983 constrói o "Cristo Crucificado" de 15m de altura e 12m de largura para a cidade de Vitória da Conquista. Em 1986, participa pela quarta vez do Comitê Internacional de Jerusalém e realiza exposição individual de desenhos em Zurique, na Suíça.
A partir de 1994 inicia o "Espaço Cravo", um parque de escultura ao ar livre no qual vem se dedicando à construção de esculturas de grande porte, estáveis, móveis e sonoras, assim como, desenvolvendo experiências no campo da Computação Plástica.
Em 1998 realiza uma ampla exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia, intitulada "Formas e Mitos", onde apresentou esculturas de grande porte no jardim externo, e no edifício principal pinturas, esculturas de médio porte e computação plástica. Participa na exposição virtual de âmbito nacional "II Eletromídia de Arte", juntamente com outros artistas.
Executa a Cruz Caída do Belvedere da Sé para a Prefeitura de Salvador em 1999, uma escultura monumental em aço inox com 12 metros de altura, a ser inaugurada em 29 de março data comemorativa dos 445 anos da fundação da Cidade do Salvador, e que, concomitantemente, homenageia-se a antiga Sé Primacial do Brasil derrubada em 1933.
O artista tem trabalhos em museus brasileiros e estrangeiros, como o Museu Hermitage, na Rússia, e o Museum of Modern Art, em Israel.
Texto: Lorena Vasconcelos, com informações do site do artista (www.cravo.art.br) / Fotos: Nei Pinto