A adoção é um ato jurídico que estabelece uma relação de filiação entre adotante e adotado. Mas ela vai muito além disso: é um gesto de amor. Prova disso é Alexandre Caetano Rank, 44 anos, baiano, pai solo de quatro filhos adotivos, que será uma das personalidades agraciadas, no dia 29 de maio, com o Prêmio Adoção Tardia – Gesto Redobrado de Cidadania.
Criada pela Resolução nº 17/2021, a premiação, concebida pelo Senado Federal, visa reconhecer pessoas ou instituições que desenvolvam, no Brasil, ações, atividades ou iniciativas voltadas à promoção da adoção tardia de crianças. Alexandre Rank foi o candidato mais votado entre os 17 indicados nesta 4ª edição.
Adoção tardia refere-se ao acolhimento de crianças com três anos ou mais e de crianças e adolescentes com irmãos, com deficiência, doença crônica ou necessidades específicas de saúde, uma modalidade infelizmente cercada por mitos e preconceitos. Mas Alexandre Rank, decidido a ser pai, mostrou que, acima de tudo, o amor é o que importa.
“Eu tenho muita alegria de ter sido selecionado nessa premiação, pois posso mostrar às pessoas que a adoção tardia é uma adoção de muito amor, união e afeto. Ela gera vínculos com certeza absoluta de amor, carinho, união e cumplicidade. Adotem crianças maiores, pois elas têm muito amor para dar”, expressou Alexandre.
Cabeleireiro em Salvador, Alexandre Rank se habilitou no Sistema Nacional de Adoção, por meio do qual a Coordenação da Infância e da Juventude (CIJ), em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conduz os trâmites legais do processo adotivo.
O Desembargador e Coordenador da CIJ, Salomão Resedá, classificou a iniciativa de Alexandre como “uma atitude ímpar”, pois, em sua longa caminhada profissional, especialmente na seara infantojuvenil, atitudes como essa são raras.
“Esta homenagem é mais do que merecida. Parabéns ao Senado Federal, pois ela servirá de exemplo para tantos que pensam em agir da mesma forma, mas que, às vezes, não seguem adiante. No entanto, além da homenagem, o mais importante é saudarmos esse ato de amor de Alexandre e o exercício da fraternidade para com quatro seres que, por circunstâncias da vida, se encontravam em situação de vulnerabilidade e que, hoje, vivem em um ambiente sólido, capaz de lhes proporcionar os meios necessários para enfrentar os embates existenciais”, afirmou o Desembargador.
Vale ressaltar que a CIJ, em 2024, recebeu a mesma honraria, em reconhecimento à campanha “Filhos são eternos bebês”, que incentiva o acolhimento de infantojuvenis com mais de 6 anos.
Para o processo de adoção, é necessária a aproximação entre o adulto e a criança ou o adolescente indicado. Ao visitar um abrigo em Jacobina, no interior da Bahia, Alexandre conheceu João Carlos Rank, de 6 anos, oriundo da cidade de Capim Grosso (BA), com quem criou uma profunda conexão.
Diversas visitas de aproximação foram realizadas e, após o fortalecimento do vínculo afetivo, ele conheceu os irmãos de João Carlos. Movido pelo amor que já sentia pelos garotos e pela certeza de que poderiam formar uma família feliz, decidiu adotar os quatro irmãos: João Rank (14 anos), Jailton Rank (12 anos), Ailton Rank (11 anos) e João Carlos Caetano Rank.
Após 60 dias de guarda provisória, o Poder Judiciário confirmou a adoção, reconhecendo o forte vínculo afetivo já estabelecido.
Passo a passo de como adotar uma criança no Brasil
A escolha das famílias agraciadas foi realizada pelo Conselho do Prêmio, designado pelo Ato do Presidente nº 3, de 2025, publicado no Diário do Senado Federal 59/2025, em 23 de abril de 2025.
“Pela coragem e em reconhecimento ao gesto de amor demonstrado por Alexandre e seus quatro filhos, e por saber que a história deles é um exemplo daquilo que o Prêmio Adoção Tardia representa, é que indico o nome dessa família”, declarou o Senador Ângelo Coronel.
No Brasil, há cerca de 5.264 crianças disponíveis para adoção, enquanto 34.574 pretendentes desejam adotar. Na Bahia, são 260 crianças e 1.319 interessados. Esses dados são do CNJ e foram coletados em 12 de maio, às 15h. Para simplificar a compreensão sobre a adoção e o porquê desse desequilíbrio numérico, o Podcast Justiça Explica, da Rádio Web do TJBA, conversou com o Desembargador Salomão Resedá.