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IV Caravana da Comissão Regional de Soluções Fundiárias atua no Extremo Sul da Bahia  

24 de março de 2026 às 14:16
IV Caravana da Comissão Regional de Soluções Fundiárias atua no Extremo Sul da Bahia  

A IV Caravana da Comissão Regional de Soluções Fundiárias acontece no Extremo Sul da Bahia, tendo por objetivo realizar reuniões com povos originários, produtores rurais e órgãos públicos, além de visitas técnicas às áreas de conflitos fundiários.  

O Presidente da Comissão Fundiária, Desembargador Cláudio Césare, auxiliado por juízes e servidores do Poder Judiciário, iniciou a jornada em Porto Seguro. O roteiro inclui os municípios de Eunápolis, Prado, Teixeira de Freitas e Caravelas, que concentram boa parte dos conflitos agrários desde a época do descobrimento do Brasil. 

IV Caravana da Comissão Regional de Soluções Fundiárias atua no Extremo Sul da Bahia  

O grupo foi dividido em três equipes para melhorar a dinâmica dos trabalhos e aumentar a área de atuação da caravana. A primeira equipe contou com o Desembargador Cláudio Césare e o Juiz Marcus Aurelius; a segunda equipe, com as Juízas Patrícia Didier e Marina Rodamilans e a servidora Mariana Batista; e a terceira equipe, com a Juíza Mariana Deiró e o servidor João Gabriel.  

No primeiro dia, foi realizada uma visita à Comarca de Eunápolis pela terceira equipe, a fim de finalizar as tratativas da mediação do assentamento Baixa Verde, situado na Fazenda São Caetano. Já a segunda equipe concentrou esforços em Porto Seguro para a realização da visita técnica à Fazenda Amazonas.  

IV Caravana da Comissão Regional de Soluções Fundiárias atua no Extremo Sul da Bahia  

A primeira equipe realizou escutas no Fórum de Prado, com a participação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), além do Ministério Público e de outras instituições, para iniciar uma mediação relativa à Aldeia Cahy.  

No período da tarde, todas as equipes se reuniram na Câmara Municipal de Prado para ouvir os produtores rurais. Cada participante teve a oportunidade de expor seus problemas e dificuldades na busca pela pacificação social. O Conselheiro do CNJ, Fábio Esteves, deixou uma mensagem de reflexão para todos.  

“Sabemos que as populações tradicionais, os proprietários, os produtores, os assentados e a comunidade como um todo estão sendo prejudicados de alguma forma. O objetivo é buscarmos uma solução que coloque, pelo menos, fim a algum tipo de situação que prejudica nossa vida”, destacou.  

A Desembargadora Federal Rosimayre Gonçalves falou sobre a importância da paz como primeiro passo para a solução dos conflitos. “Temos certeza de que o melhor caminho é ouvir vocês sobre o que realmente está acontecendo, porque o que chega para a gente no processo, na folha de papel, às vezes, não é o que realmente vocês querem. Precisamos situar aquilo que realmente importa para cada um que está envolvido no conflito e isso só acontece com uma escuta de qualidade”, declarou.  

IV Caravana da Comissão Regional de Soluções Fundiárias atua no Extremo Sul da Bahia  

Ao final, o Desembargador Cláudio Césare fez um balanço do segundo dia de trabalho e manifestou a relevância de ouvir todos os envolvidos. “É uma situação que exige respostas imediatas dos Poderes constituídos: Judiciário, Executivo e Legislativo. Eu trago, ao final desse dia de trabalho, ao menos, a esperança de que existem pessoas imbuídas em construir uma solução pacífica para o problema”, afirmou.  

Paralelamente às audiências públicas, foi realizada uma visita técnica à Fazenda Amazonas, em Porto Seguro, com parte da equipe da Comissão Regional de Soluções Fundiárias. Participaram, também, representantes da Superintendência de Desenvolvimento Agrário (SDA) e da Secretaria de Relações Institucionais (SERIN), ambos órgãos do Executivo estadual; as Juízas Patrícia Didier Pereira e Marina Rodamilans; e a servidora Mariana Batista.  

IV Caravana da Comissão Regional de Soluções Fundiárias atua no Extremo Sul da Bahia  

“Nós esperamos que todos saiam daqui com seus direitos contemplados, mas, sobretudo, restaurados de uma dor profunda e histórica que envolve os povos indígenas, os proprietários e o povo brasileiro”, afirmou a Juíza Patrícia Didier.  

“Na ocasião, explicamos aos ocupantes a necessidade do congelamento da ocupação e detalhamos as próximas etapas da mediação. A Comissão Regional de Soluções Fundiárias realiza um trabalho de diálogo e escuta entre ocupantes e proprietários para chegar à melhor solução do conflito”, completou a Juíza Marina Rodamilans.  

A terceira equipe, com a Juíza Mariana Deiró e o servidor João Gabriel, reuniu-se em Eunápolis sob o propósito de buscar um acordo na área conflituosa. “Apesar de não termos chegado a um acordo hoje, foi feita a proposta final do Estado da Bahia aos ocupantes das terras. Embora eles não tenham aceitado de imediato, a Comissão realizou todo o trâmite necessário e o advogado deles ficou de analisar a proposta no prazo de 30 dias”, contou a magistrada Mariana Deiró.   

Texto publicado: Ascom-TJBA