Dando continuidade às atividades do projeto Virando a Página, a Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (CGJ-TJBA), promoveu, na Colônia Penal Lafayete Coutinho, de 26 a 29 de junho, a segunda Oficina Literária. Foi utilizado o gênero literário crônica, em três eixos: relações familiares, violência urbana e perspectiva de futuro.
Com doze horas de duração e dezessete participantes, foram produzidos cinquenta e um textos, três por reeducando. Além disso, para esta etapa do projeto, também foram desenhadas dezessete caricaturas, uma para cada um dos envolvidos. A arte foi criada por Ítalo Assis Costa, reeducando/artista, que, além de escrever, também desenhou os colegas.
“Eu aprendi a desenhar sozinho, desde criança; quando fiquei adolescente me tornei tatuador. E, ao ser preso, passei a rabiscar tudo que eu lembrava. Poder desenhar de novo e, agora para um livro, é de uma felicidade só”, disse Ítalo.
Para o encerramento da Oficina, o Corregedor-Geral do TJBA, Desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, estava presente e não poupou elogios a todos: “Vocês participarem das atividades é um ato de coragem e mostra para todos nós a força que têm para se instruírem cada vez mais”. Ao final, agradeceu aos novos autores e reforçou: “nossa meta é justamente poder reintegrar cada um de vocês, fazendo o que estiver ao nosso alcance”.
Vale lembrar que a Oficina Literária realizada é um desdobramento do Projeto Virando a Página- Remição pela Leitura, que promove rodas de leituras entre pessoas privadas de liberdade e tem por objetivo o estímulo à leitura, à expressão oral, à elaboração de relatórios, para que, a partir de tal produção textual, o reeducando possa ter redução de pena, conforme a Resolução CNJ 391/21 e o Provimento CGJ/CCI 12/22.
A segunda Oficina Literária foi também coordenada por Alex Giostri, vindo de São Paulo, e que traz consigo a prática das Oficinas em sistema prisional desde 2014, sobretudo no Estado de Santa Catarina. “Para essa ação, o foco foi o olhar sobre o que se vê, neste caso, eles a eles mesmos, daí os três eixos temáticos: família, violência urbana e futuro. Para cada eixo, tivemos uma rápida explicação e linha de condução e, então, deu-se o todo – um mergulho no adormecido mundo da infância, uma encarada na dura realidade da vida e uma projeção no dali para frente”.
Próximos passos
Com os textos manuscritos finalizados, o passo agora será o mesmo da primeira Oficina que ocorreu em maio na Penitenciária Lemos de Brito: a digitação, a revisão ortográfica, a editoração e publicação em livro. O lançamento da obra deve ocorrer em sessenta dias na própria Colônia Penal, assim como se dará o lançamento do material resultante da primeira Oficina, Porque quem lê escreve!, que acontecerá ainda no mês de julho, na capital.
“É muito gratificante ver tão de perto essa nova maneira de pensar o sistema prisional, voltada para o restabelecimento social das pessoas em privação de liberdade. E é encantador constatar o nível de interesse, de motivação de todos os que participam do processo”, disse a Juíza Auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça, Liz Rezende Andrade.
Já o Secretário de Administração Penitenciária, José Antônio Maia Gonçalves, também presente no evento, ratificou a importância das ações e disse que o Estado espera que todos possam sair do cárcere reintegrados. “Só o que importa é o daqui para frente!”, ratificou.
“Eu já estou preso por 18 anos sem sair daqui, já não conheço mais ninguém além da minha esposa e filhos. Escrever sobre a infância, família, pai, mãe, me fez buscar dentro de mim coisas que eu nem sabia mais que eu tinha vivido”, disse Arivone Gonçalves da Silva.
Cabe salientar que a Corregedoria pretende levar o projeto Virando a Página para os outros tribunais do país, apresentando-o nos encontros dos Corregedores-Gerais de Justiça, para que se configure como uma boa prática a ser disseminada.
No encerramento da 2ª Oficina Literária, o Corregedor-Geral também fez a entrega ao diretor da Colônia Penal Lafayete Coutinho, Marcelo Néri, de 178 obras literárias, recebidas, por doação, da Editora Giostri. O Presidente do TJBA, Desembargador Nilson Soares Castelo Branco, apoia e incentiva as práticas de ressocialização, realizadas pela CGJ.
Descrição da imagem: autoridades e presos da Colônia Penal Lafayete Coutinho, participantes da segunda Oficina Literária, sentados em formato circular, com uma mesa ao centro com desenhos das atividades desenvolvidas [fim da descrição].
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