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Corregedoria Geral do TJBA promove primeiro sarau literário, com internas, em um conjunto penal do estado

26 de setembro de 2023 às 18:23
Corregedoria Geral do TJBA promove primeiro sarau literário, com internas, em um conjunto penal do estado

A intenção de reconstruir vidas por meio da educação tem impulsionado a Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (CGJ/TJBA) a inovar nas atividades de ressocialização nos presídios. Dessa vez, um sarau literário foi realizado com as internas do Conjunto Penal de Juazeiro, por meio do projeto Virando a Página.   

O evento cultural, que contou com a presença do Corregedor-Geral do TJBA, Desembargador Rotondano, e com o apoio do Presidente do Judiciário baiano, Desembargador Nilson Soares Castelo Branco, possibilitou aos participantes uma volta ao passado e um salto na direção de um futuro melhor. 

Cheio de desejos, sonhos e esperança. Assim ficou o pátio da penitenciária de Juazeiro, enquanto o sarau foi realizado. O vento forte também envolvia os ouvintes, que tiveram a chance de entender, com a leitura dos versos, cicatrizes que marcam a vida das 12 internas escritoras. Ao final, a salva de palmas era impossível de controlar.  

“A partir do momento que comecei a ler, passei a observar o que queria para minha vida. Já tive muitas oportunidades e todas joguei fora. Mas quando passei a fazer da leitura o meu passatempo, comecei a observar que quero ser outra pessoa daqui pra frente”, compartilhou Raiane Santos.  

As poesias foram produzidas durante uma oficina literária conduzida pelo editor Alex Giostri. Ele trabalhou com as reeducandas três eixos: infância, sistema prisional e família. O próximo passo é a edição desses textos e formação em livro.   

“Apesar de ser dentro de uma penitenciária, aqui se tem a oportunidade de aprender a ler, escrever e contar histórias. Já temos outros livros escritos [por detentos]. Isso tudo é uma demonstração que as pessoas são capazes, basta um simples empurrão na direção certa”, reforçou o Desembargador Rotondano. 

O sarau também foi marcado pela leitura do poema “Guardar”, de Antônio Cícero, pelo magistrado. Confira abaixo: 

Em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), a CGJ já promoveu 5 oficinas literárias, que resultam em lançamento dos livros escritos pelos reeducandos. Contos, crônicas, dramaturgia e fábulas foram os eixos já trabalhados.  

A ação é um desdobramento do Projeto Virando a Página, que promove rodas de leituras entre pessoas privadas de liberdade e tem por objetivo o estímulo à leitura, à expressão oral, à elaboração de relatórios, para que, a partir de tal produção textual ou oral, o reeducando possa ter direito à redução de pena, conforme Resolução CNJ 391/21 e Provimento CGJ/CCI 12/22.     

“A partir e através da literatura, você resgata a autoestima, ressignifica conflitos internos e externos. Na pessoa com privação de liberdade, seja homem ou mulher, você tem a única possibilidade de sair de onde não se quer estar, que é o encarceramento”, explicou Alex Giostri.  

Roda de leitura – Ainda na sexta-feira (22), antes do Sarau literário foi realizado também, ainda dentro do Virando a Página, uma roda de leitura com 10 internos do Complexo Penal de Juazeiro. “O cortiço”, livro de Aluísio Azevedo, foi a obra escolhida para o debate.  

Preconceito, igualdade social e falta de oportunidade foram alguns dos temas da roda, que foi guiada pelo Professor Everaldo Carvalho. A discussão girou em torno dos personagens e da avaliação das ações dos mesmos, do entendimento que se pode ter acerca da história, a relação do cortiço com a cadeia e a superação de uma situação difícil e a necessidade de encontrar apoio de alguém.  

Os participantes tiveram a oportunidade analisar o principal ponto da obra, que é “mostrar a vida como ela é”, segundo o Professor Everaldo Carvalho. Além disso, fizeram uma ligação de suas vidas reclusas de liberdade e com o cortiço.  

“O cortiço” aborda pobreza, corrupção, injustiça e traição. Aluízio de Azevedo escreve um romance que denuncia as mazelas sociais enfrentadas pelos moradores de um cortiço e pelas pessoas ligadas a ele no Rio de Janeiro durante o século XIX.  

A Resolução 391/2021, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), determina que a pessoa privada de liberdade tem o direito de remir, isto é, reduzir quatro dias de pena para cada obra literária lida, respeitado o limite de 12 livros por ano para este fim. Além deste benefício penal, a CGJ compreende que a leitura e a educação, em sentido amplo, têm o poder de transformar o curso da vida do apenado, possibilitando a sua reinserção na sociedade.     

Segundo Everaldo Carvalho, a ideia é a universalização do ensino. “Com acesso à educação, o interno vai ter uma ferramenta para fazer diferente, que vai conduzi-lo para possibilidades de virar a chave e ele ser um cidadão de primeira ordem”, afirmou.  

Descrição da imagem: autoridades e internas presentes ao evento.  [fim da descrição]. 

#pracegover #pratodosverem 

Texto publicado: Ascom TJBA