Pioneiro na utilização do método das Constelações Sistêmicas Familiares no Poder Judiciário brasileiro, o Magistrado baiano Sami Storch vem realizando, desde 2012, palestras vivenciais de Constelação Familiar como procedimento prévio às audiências conciliatórias. Recentemente, ministrou workshop sobre Direito Sistêmico na Escola Superior de Advocacia (ESA), instituição vinculada à Seção Baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA).
No evento, realizado no dia 9 de novembro e promovido pelo Hellinger Schule em parceria com a Innovare Faculdade, os presentes tiveram a oportunidade de participar de um trabalho de constelação que provocou muitas emoções.
“Sami fez um excelente trabalho na ESA trazendo histórias e dinâmicas reais para que as pessoas pudessem perceber como é estar no lugar do outro e olhar o problema pelos olhos do outro”, avaliou a professora Karla Menezes, responsável por trazer o workshop para a cidade de Salvador.
Na ocasião, o Magistrado defendeu o trabalho de constelação familiar, que integra o Direito Sistêmico, como um grande facilitador para as pessoas se conhecerem. Storch explicou ainda que o Direito Sistêmico abrange todas as áreas jurídicas e consiste em uma forma de enxergar o Direito sob uma nova ótica. “Vejo que a constelação facilita muito para que cada um possa encontrar o seu caminho”, afirmou.
O Juiz Samir Storch utiliza técnicas de constelações familiares sistêmicas há 12 anos. Conforme relata em seus artigos, vem obtendo bons resultados na facilitação das conciliações e na busca de soluções que tragam paz aos envolvidos nos conflitos submetidos à Justiça, em processos da Vara de Família e Sucessões e também no tratamento de questões relativas à infância e juventude e à área criminal, mesmo em casos considerados bastante difíceis.
Direito Sistêmico e Constelação Familiar
A prática utilizada pelo Juiz Samir Storch trata-se de uma abordagem originalmente utilizada como método terapêutico pelo terapeuta e filósofo alemão Bert Hellinger, que a partir das constelações familiares desenvolveu uma ciência dos relacionamentos humanos, ao descobrir algumas ordens (leis sistêmicas) que regem as relações.
Já a expressão “Direito Sistêmico” foi criada pelo próprio Magistrado quando lançou o blog de mesmo nome. O termo surgiu da análise do Direito sob uma ótica baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas, conforme demonstram as constelações familiares desenvolvida por Hellinger.
De acordo com Storch, essa abordagem defende que diversos problemas enfrentados por um indivíduo podem derivar de fatos graves ocorridos no passado não só do próprio indivíduo, mas também de sua família, em gerações anteriores, e que deixaram uma marca no sistema familiar, causando dificuldades em seus membros, mesmo em gerações futuras.
Durante as constelações familiares as pessoas são convidadas a representar membros da família de uma outra pessoa (o cliente) e, ao serem posicionadas umas em relação às outras, sentem como se fossem as próprias pessoas representadas, expressando seus sentimentos, ainda que não as conheçam. A partir dessas representações, as causas dos transtornos do cliente, mesmo que relativas a fatos ocorridos em gerações passadas, inclusive fatos que ele desconhece, emergem.
O Direito Sistêmico, como explica o Magistrado em suas publicações, vê as partes em conflito como membros de um mesmo sistema, ao mesmo tempo em que vê cada uma delas vinculada a outros sistemas dos quais simultaneamente façam parte (família, categoria profissional, etnia, religião etc.) e busca encontrar a solução que, considerando todo esse contexto, traga maior equilíbrio.