Ir para o conteúdo
Buscar
NAVEGUE EM NOSSO SITE
Encontre o que deseja

Agência de Notícias

Buscar
BUSCA DE NOTÍCIAS

III Encontro Lúdico promove interação entre requerentes habilitados e crianças e adolescentes aptos para adoção

22 de novembro de 2018 às 15:09
III Encontro Lúdico promove interação entre requerentes habilitados e crianças e adolescentes aptos para adoção

Um momento de aproximação entre crianças e adolescentes aptos para a adoção e requerentes habilitados que demonstrem flexibilização para a adoção necessária (antiga adoção tardia). Assim é o Encontro Lúdico promovido pela 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador. Em sua terceira edição, realizada na última terça-feira (20) na Universidade Corporativa (Unicorp) do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), a iniciativa reuniu 13 crianças e 12 adolescentes, com idades entre 2 e 16 anos, e focou na temática da Consciência Negra, celebrada na mesma data.

O evento foi dividido em dois momentos. Primeiramente, os requerentes participaram da sensibilização técnica, durante a qual receberam informações sobre a proposta da ação e sobre o perfil das crianças e adolescentes disponíveis para adoção. As orientações tiveram como foco as adoções inter-raciais, de adolescentes e de grupo de irmãos.

Ao dar as boas-vindas aos futuros pais, o Titular da 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador, Juiz Walter Ribeiro Costa Júnior, falou um pouco sobre sua história de vida e trajetória profissional, abordou questões raciais e relatou sobre a origem do Encontro Lúdico.

“Eu quero um momento para que as crianças possam estar com esses interessados, entretanto eu não quero feira, como se fossem animais ou carros, que a gente vai olhar para escolher. Eu quero um momento em que as pessoas estejam de forma descontraída, participando daquela situação”, contou o Magistrado sobre o que vislumbrou ao propor a realização do Encontro.

O Magistrado aproveitou ainda para defender a desconstrução do conceito de filho ideal, pedindo aos requerentes para não se limitarem ao cadastro preenchido. “Desconstruam conceitos, preconceitos, tabus, dogmas, mitos que foram imprimidos em nós desde pequenos. Vocês têm que se permitir porque, como eu digo, não tem outra definição para adoção senão pertencimento”, pontuou.

Ainda no primeiro momento, os requerentes assistiram à exposição da Professora Doutora Bárbara Carine Pinheiro, que focou no empoderamento de famílias para as relações étnico-raciais positivas.

“Se não tem pessoas negras majoritariamente na Magistratura, na Medicina, no Direito, nas áreas de poder, nas áreas hegemônicas da sociedade, isso não significa que geneticamente pessoas negras são inferiores. Isso tanto crianças negras quanto crianças brancas precisam compreender. E para que essas crianças compreendam essa dimensão, a família precisar ter esse aporte. A família precisa compreender que os espaços que a criança convive são espaços que vão reproduzir esses estigmas”, explicou a palestrante.

De acordo com a Assistente Social da 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador, Denise Ferreira, a temática da palestra foi escolhida considerando uma pesquisa interna realizada com pessoas que estavam se habilitando para a adoção. Conforme o levantamento, uma das questões mais suscitadas é “como vou adotar uma criança de etnia diferente da minha”.

No segundo momento, os requerentes juntaram-se às crianças e aos adolescentes, que assistiram a um filme e lancharam na parte inicial do Encontro. Para promover a aproximação dos presentes, o Professor Mestre e Assistente Social Anailton dos Anjos realizou uma oficina de musicoterapia.

O envolvimento dos pretendentes com as crianças e adolescentes foi intensificado com as oficinas de capoeira e maculelê, ministradas pelo Educador Físico Edson dos Anjos Santana “Jenipapo”. A prática contou também com a colaboração Grupo Cultural Ilê Aiyê.

Na ocasião, a Pedagoga Naiara Santos conduziu ainda uma oficina de boneca Abayomi, originada nos navios que realizava o transporte de escravos entre a África e o Brasil. Para acalentar seus filhos, as mães rasgavam retalhos de suas saias e a partir deles criavam pequenas bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção.

Durante as dinâmicas lúdicas, os requerentes que se sentiram tocados por uma criança ou adolescente em especial puderam obter informações mais específicas a seu respeito. A equipe da 1ª Vara da Infância registrou essas situações para posterior verificação de compatibilidade entre os perfis do pretendente e da criança ou do adolescente.

Visando a contribuir ainda mais para a formação dos futuros pais, foi distribuído um material informativo, contendo pesquisa desenvolvida pela Professora Doutora Nanci Helena Rebouças Santos Franco, Docente da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Infantil (GEPEICI). O material reúne várias sugestões de livros paradidáticos com referências positivas que podem contribuir na formação da identidade do indivíduo.

“Porque embora, por exemplo, o jovem ou a criança seja adotado por uma família branca, ele não vai ficar branco porque está naquela família. Então, a gente tem que ter essa clareza de como vamos trabalhar positivamente essa identidade”, esclarece a Assistente Social Denise Ferreira.

Fizeram parte do III Encontro Lúdico as instituições Pérola de Cristo, Lar da Criança, Organização do Auxílio Fraterno (OAF), Lar Vida e Lar Benedita Camurugi. As 25 crianças e os adolescentes selecionados para o evento passaram por uma triagem técnica por meio da qual foram avaliadas questões jurídicas, psicológicas e sociais com o intuito de certificar que estavam aptos a participar do momento.

Texto publicado: Ascom TJBA