“Apesar de não ter histórico na família, o desejo de adotar veio bem cedo. Me preparei emocionalmente e financeiramente e, quando me senti pronta, já tinha em mente e no coração que não seria um bebê. Eu queria adotar uma menina de 15 a 18 anos”. O relato de Rosimare Sousa Pessoa diferencia da maioria dos candidatos à adoção na Bahia, que geralmente buscam crianças entre 0 e 6 anos.
A adoção é uma forma legítima de constituir uma família e, buscando reforçar que toda criança, independentemente da idade, tem o direito de pertencer, de ser cuidada e de ser chamada de filha ou filho, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) coloca em pauta o tema da adoção tardia.
Atualmente, o Sistema Nacional de Adoção (SNA) apresenta 298 crianças aptas para serem adotadas e 1.316 pretendentes ativos na Bahia*. “Isso ocorre, principalmente, porque os perfis desejados pelos pretendentes nem sempre correspondem à realidade das crianças”, explica a Desembargadora Andréa Paula Miranda, responsável pela Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJBA.
A história de Rosimare teve um duplo final feliz. “Deus não me deu só uma filha, mas dois: Uma menina de 15 anos e um menino de 9 anos. Foi uma alegria que não cabia no peito; são os amores da minha vida”, finaliza.

“A maioria dos pretendentes manifesta preferência por crianças mais novas, geralmente sem irmãos, sem problemas de saúde e em faixas etárias muito específicas. Entretanto, o perfil predominante das crianças e adolescentes disponíveis no sistema é formado por crianças mais velhas, grupos de irmãos, adolescentes ou menores com alguma condição de saúde ou necessidade especial”, ressalta a Desembargadora Andréa Paula.
Cabe salientar que estar “disponível para adoção” não significa, necessariamente, que a vinculação familiar será imediata. Cada caso envolve estudos psicossociais, período de aproximação, adaptação gradual e acompanhamento técnico, especialmente quando se trata de adoções tardias ou de grupos de irmãos.
“Talvez seja preciso que olhemos menos para a criança idealizada e nos permitamos conhecer as crianças reais, aquelas que hoje aguardam uma família, um abraço, um lugar de pertencimento e a oportunidade de construir vínculos de amor e de afeto”, conclui a Coordenadora da CIJ, Desembargadora Andréa Paula.
Para adotar, inscreva-se no Sistema Nacional de Adoção e realize um pré-cadastro. Com um número de protocolo gerado, dirija-se à Vara com competência em infância e juventude da cidade que reside.
*Os dados referentes aos candidatos à adoção e ao número de crianças aptas foram colhidos no dia 22/05/2026.
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INFÂNCIA PROTEGIDA
Hoje, 25 de maio, é conhecido como o Dia da Adoção. Neste ano, a data ganha um reforço e visibilidade ainda maior, com o mês da Infância Protegida, lançado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A iniciativa busca fortalecer as políticas públicas e práticas institucionais destinadas à proteção integral de crianças e adolescentes, com foco no enfrentamento das violências e na celeridade da resposta judicial em processos que envolvam vítimas infantojuvenis.
No âmbito do TJBA, além das ações institucionais coordenadas pela CIJ, magistradas e magistrados de diversas comarcas baianas, a exemplo de Camaçari, Vitória da Conquista, Ilhéus e Santaluz, vêm desenvolvendo iniciativas locais de conscientização da população, em escolas, rádios e espaços comunitários, contribuindo para ampliar a rede de proteção e fortalecer a cultura de prevenção e enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes.