O Auditório Desembargadora Olny Silva, no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), foi palco de um encontro marcado pela ancestralidade, pelo diálogo e pela valorização das mulheres negras nessa segunda-feira (13). Em sua terceira edição, o Julho das Pretas reuniu desembargadoras(es), juízas(es), servidoras(es), autoridades, estudantes e representates da sociedade civil.
Com um novo formato, o evento foi realizado como um talk show, proporcionando um debate mais dinâmico e aprofundado sobre os temas propostos. A programação contou com a participação das juízas Ana Cláudia de Jesus Souza, Andremara dos Santos e Maria Angélica Alves Matos, além da pesquisadora em literatura afro-brasileira e relações étnico-raciais Florentina Souza, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
À frente da Coordenadoria da Mulher, a Desembargadora Nágila Maria Sales Brito destacou a relevância da iniciativa para a promoção da igualdade racial e reafirmou o compromisso permanente do Poder Judiciário com o enfrentamento ao racismo e à discriminação. “Esse evento é importantíssimo porque estamos dizendo às nossas meninas e mulheres negras que o Tribunal está com elas”, afirmou.
Em seu discurso de abertura, a magistrada fez questão de ressaltar a importância da implantação dos Protocolos para Julgamento com Perspectiva de Gênero e com Perspectiva de Raça, instituídos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023 e 2024, respectivamente. De aplicação obrigatória no âmbito do TJBA, os documentos orientam a atuação da magistratura na análise dos processos.
“Esses documentos se apresentam como um convite permanente para que magistradas e magistrados reconheçam que ninguém chega ao sistema de justiça em condições absolutamente iguais”, salientou a desembargadora.
Mediado pela pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Fórum Permanente de Prevenção e Combate às Violências contra as Mulheres do TJBA, Mabel Freitas, o debate abordou temas como representatividade, trajetórias profissionais e os desafios enfrentados pelas mulheres negras. O público também acompanhou a apresentação artística da dupla Emilie Lapa e Natalyne Santos.
Com o objetivo de ampliar o letramento em gênero e raça, representantes da Casa da Mulher Iraraense — projeto que reúne serviços de assistência social, escuta psicológica e orientação jurídica para mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica — percorreram cerca de 140 quilômetros para participar da programação.
“Esse evento é uma possibilidade de aprimorar o nosso conhecimento, além de abarcar e acolher de uma forma ainda mais diversificada”, destacou a psicóloga da instituição, Raqueline Portela.
Neste ano, o tema do Julho das Pretas no TJBA foi “Nossa fala estilhaça a máscara do silêncio – Mulheres negras e justiça sociorracial”, inspirado em uma frase da escritora brasileira Conceição Evaristo. Motivada pelo legado dessa autora, a professora e escritora Vânia Santos escolheu o evento para apresentar o seu livro “A Flor que Chora”, obra que reúne poesias sobre violência contra a mulher.
“Estou muito feliz de estar aqui trazendo um pouquinho da minha literatura, que assim como a de Conceição Evaristo, também expressa a realidade dura das mulheres, sobretudo das mulheres negras”, celebrou a poeta.
O Julho das Pretas é um movimento social e cultural criado pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, que fortalece as discussões em torno do dia 25 de julho, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, símbolo de liderança, coragem e resistência.






