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Virando a Página: projeto da Corregedoria do TJBA realiza primeira roda de leitura apenas com mulheres e promove oficina literária em Itabuna

14 de julho de 2023 às 18:17
Virando a Página: projeto da Corregedoria do TJBA realiza primeira roda de leitura apenas com mulheres e promove oficina literária em Itabuna

Valorização da mulher, rompimento com o ciclo de escolhas prejudiciais e sororidade. Estes foram alguns dos temas abordados na primeira roda de leitura realizada apenas com mulheres privadas de liberdade, promovida pelo projeto Virando a Página, da Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA).

Ocorrida na tarde de quinta-feira, 13 de julho, a unidade escolhida foi o Complexo Penal de Itabuna. As reeducandas discutiram, de maneira filosófica e profunda, o livro “O conto da Aia”, de Margaret Atwood. E, na mesma tarde, deu-se a finalização da 1ª oficina literária realizada no Conjunto Penal da cidade, cujo gênero tratado foi teatro.

Da roda de leitura e diálogos, as percepções foram surpreendentes e emocionantes, com falas humanas e reveladoras. Ayandra Eduarda, uma das leitoras, se emocionou no momento em que explanava sobre a história lida. Conforme compartilhou, ela e a personagem principal do livro “O conto da Aia” – Offred – têm em comum o fato de fazerem dos seus filhos a motivação para se tornarem alguém melhor.

Durante a roda de leitura, também foi possível notar o entusiasmo nos olhares de todos na sala, reeducandas, professores e autoridades.
A opinião apresentada por elas mostrava a dedicação empenhada. “Hoje eu tive uma demonstração inequívoca de que estamos no caminho certo, porque a educação e a leitura transformam as pessoas e as tornam capazes de mudar o mundo”, pontou o Corregedor-Geral do TJBA, Desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano.

Segundo ele, as pessoas atingidas pelo projeto entregam-se e interagem de tal forma que sairão do sistema prisional com uma nova perspectiva de vida.
“Aprendi muito com o livro e me identifiquei com algumas personagens. Assim como elas, eu tenho esperança de virar a página e mostrar para a sociedade que eu me tornei uma mulher diferente”, contou Elizabete Santos. Ela, que está privada de liberdade há 10 anos, só tinha estudado até a 4ª série, hoje, além de concluir o ensino médio, está fazendo faculdade de mídia e tecnologia.

“O conto da Aia” é um romance distópico e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes. Neste contexto, as poucas mulheres que conseguem engravidar são vistas como aparelhos reprodutores pelo Estado.
A Juíza Auxiliar da CGJ, Liz Rezende, explica a escolha do livro O conto da Aia para Itabuna. “A obra fala muito do universo feminino, da questão da importância de um empoderamento saudável da mulher por ela mesma. E eu fiquei muito feliz por tudo que vi e ouvi das leitoras. Mostra para mim e para toda as pessoas envolvidas no Projeto Virando a Página a importância de estarmos ali, ouvindo-as, aprendendo com elas. São universos riquíssimos os de cada uma delas.”

Virando a Página: projeto da Corregedoria do TJBA realiza primeira roda de leitura apenas com mulheres e promove oficina literária em Itabuna
Durante a discussão, as leitoras fizeram uma analogia da obra com suas vidas, bem como comentários sobre igualdade de gênero, sistemas ditatoriais, desvalorização da mulher e patriarcado. Além disso, analisaram escolhas dos personagens e de, como, a partir da leitura, podem melhorar seus próprios contextos de vida.

“Entendemos que a história da personagem principal oferece instrumentos para essas leitoras compreenderem que mesmo em situação de privação de liberdade podem alcançar a superação”, esclareceu Everaldo Carvalho, mediador da roda de leitura.

O Projeto Virando a Página tem sido realizado em diversos complexos penais do Estado da Bahia e busca contribuir para uma sociedade mais justa e livre de preconceitos. “Queria expressar a nossa gratidão por ter participado de uma roda de tão alta qualidade, vocês são uma potência e podem alcançar tudo o que quiserem fazer”, disse o Chefe de Gabinete da CGJ, Yuri Bezerra, para as internas.

Oficina – Por sua vez, participaram da Oficina Literária, essa nomeada A vida em cena, um total de 15 (quinze) reeducandos do Complexo Penal de Itabuna. Todos tiveram três dias de imersão e desenvolveram uma escrita dramática. “A literatura é um universo à parte e possibilita aquilo que estamos fazendo, ou tentando fazer, que é uma redução de danos na vida de cada um. Quem lê e quem escreve têm a possibilidade de sair desse universo de aprisionamento físico”, observou Alex Giostri, Coordenador das atividades.

Com os textos manuscritos finalizados, o próximo passo será a revisão ortográfica, para, em seguida, a elaboração de capa, editoração e, por fim, a publicação em livro físico de autoria dos quinze reeducandos. O lançamento da obra deve ocorrer em breve, no próprio estabelecimento penal.
Salienta-se que, ainda neste mês de julho, a Corregedoria Geral do TJBA promove o lançamento de um livro escrito pelos internos da Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador. A obra também foi produzida durante uma Oficina Literária.

O momento será marcado pela presença da Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, que também participará de uma roda de leitura. O objetivo da CGJ com a presença dela é levar o projeto para nível nacional.

Das doações – Quem desejar contribuir para a ressocialização por meio da leitura, pode realizar a entrega de obras novas ou usadas, exceto as didáticas, no átrio do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e na Sala 308-Sul (Assessoria de Ação Social) – no Centro Administrativo da Bahia (CAB).

As doações já podem ser feitas e, ao todo, 16 (dezesseis) unidades prisionais serão contempladas com essa campanha de arrecadação de livros.

Saiba mais 
A Resolução 391/2021, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), determina que a pessoa privada de liberdade tem o direito de remir, isto é, reduzir quatro dias de pena para cada obra literária lida, respeitado o limite de 12 livros por ano para este fim. Além deste benefício penal, a CGJ compreende que a leitura e a educação, em sentido amplo, têm o poder de transformar o curso da vida do apenado, possibilitando a sua reinserção na sociedade.

As ações do projeto Virando a Página contam com o apoio da presidência do TJBA, na pessoa do Desembargador Nilson Soares Castelo Branco.

Fique por dentro das ações do Virando a Página 

 

Descrição da imagem: autoridades e egressos de Itabuna reunidos para foto {fim da descrição}. 

#Pratodosverem #pracegover 

Texto publicado: Ascom PJBA