TJBA fortalece escuta protegida no estado com mais de 130 salas de Depoimento Especial  

TJBA fortalece escuta protegida no estado com mais de 130 salas de Depoimento Especial  

Mais de 130 salas de Depoimento Especial já instaladas em todo o estado, em um universo de 204 comarcas. Essa é a marca alcançada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) na garantia da escuta protegida de crianças e adolescentes envolvidos em processos criminais, sejam eles vítimas ou testemunhas.  

A garantia pode ser solicitada pela parte, mas geralmente é incentivada pelo próprio juiz à frente do caso. Quando a comarca não dispõe de sala separada para esse tipo de escuta, o depoimento é redirecionado à unidade mais próxima. O objetivo do TJBA é instalar mais 43 salas de Depoimento Especial neste ano.   

Permitir que a parte seja ouvida em um ambiente de acolhimento e confiança é o propósito da escuta protegida. “Durante a entrevista prévia de uma adolescente de 13 anos, vítima de violência sexual praticada por um adulto que dormia no mesmo local que ela, a jovem pediu expressamente para ser ouvida por mim. Na conversa, relatou que não confiava em mulheres em razão dos maus-tratos sofridos pela própria mãe e atribuía à genitora parte do contexto de abandono e vulnerabilidade que permitiu a violência”, compartilha o Titular da 1ª Vara dos Feitos relativos aos Crimes contra Criança e Adolescente de Salvador, Juiz Arnaldo Lemos.  

Para alcançar o ambiente acolhedor e seguro, o TJBA utiliza o Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense (PBEF), que busca reduzir danos emocionais e evitar a revitimização. “Crianças e adolescentes que sofreram violência, especialmente abuso sexual, frequentemente apresentam medo, vergonha, culpa ou bloqueios emocionais. Em um modelo inadequado de escuta, isso pode gerar ainda mais sofrimento e até impedir que consigam relatar os fatos”, acrescenta o magistrado. 

A Resolução nº 299/2019 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) destaca a capacitação não apenas do(a) entrevistador(a), mas também dos(as) magistrados(as) e demais profissionais do sistema de Justiça que atuam nesses casos. Quando a escuta é realizada de maneira técnica e acolhedora, a vítima percebe que está sendo respeitada, ouvida e protegida, o que aumenta sua sensação de segurança e confiança durante o procedimento.   

Depoimento Especial x Escuta Especializada – Regidos pela Lei nº 13.431/2017, ambos têm como finalidade ouvir crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, evitando a revitimização. Ambos são formas de escuta protegida.

A escuta especializada ocorre perante órgão da rede de proteção e volta-se ao acolhimento e ao encaminhamento para unidades da rede de atendimento. Já o depoimento especial ocorre perante autoridade policial ou judiciária, no âmbito de um processo criminal, com vistas à produção de prova.   

Mês da Infância Protegida – Instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o “Mês da Infância Protegida” visa mobilizar tribunais e instituições do Sistema de Garantia de Direitos para ações coordenadas que ampliem a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. 

Entre as medidas previstas, estão mutirões de depoimentos especiais e atos processuais, a priorização da tramitação e do julgamento de processos envolvendo vítimas infantojuvenis, além da realização de campanhas educativas e de conscientização. 

Um dos resultados esperados é a redução no acúmulo de processos e de depoimentos pendentes, além do fortalecimento da confiança da sociedade na atuação do Poder Judiciário quanto à proteção da infância. 

A iniciativa objetiva fortalecer a articulação entre o Poder Judiciário e os órgãos da rede de proteção, em conformidade com normas sobre escuta especializada e depoimento especial. A coordenação nacional da campanha é conduzida pela Secretaria de Estratégia e Projetos do CNJ, em parceria com as Coordenadorias da Infância e da Juventude dos Tribunais.  

Ações no TJBA – Fortalecendo a iniciativa, o TJBA tem mobilizado os magistrados das competências criminal, de infância e juventude, bem como de violência doméstica, no sentido de cumprir as medidas propostas concernentes à priorização dos processos que envolvam vítimas infantojuvenis e à realização de depoimentos especiais. 

Ao longo do mês, estão previstos eventos educativos. Abrindo a programação, foi realizado, no dia 7 de maio, o webinário “Além do Olhar Comum, Perspectivas Plurais sobre a Violência Vicária – Articulação Interinstitucional no Mês da Infância Protegida”. 

Já no dia 18 de maio, será realizada a roda de conversa “Para Além do Silêncio: proteção e bem-estar de crianças e adolescentes”, cujo foco é a prevenção do abuso e da exploração sexual infantojuvenil.  

Além disso, o Tribunal baiano publica, no período, uma série de matérias atinentes à garantia do direito das crianças e dos adolescentes, com divulgação nos canais oficiais, a exemplo do Instagram do órgão (@tjba_oficial). Esta é a primeira divulgação da série.