“Eu era uma criança jogada na rua, não tinha comida suficiente, nem roupa, nem pais presentes”. O relato é de Lucas*, jovem de 15 anos que teve os capítulos iniciais de sua vida marcados por momentos de tristeza e dor. A história mudou quando ele fez 12 anos e a Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Ilhéus tomou conhecimento dessa situação.
*Nome fictício
A unidade judicial atuou para o acolhimento imediato de Lucas e seus 7 irmãos. Inicialmente, quatro foram adotados por famílias ao longo do estado e, após a conclusão dos trâmites legais para destituição do poder familiar, os outros três irmãos conheceram Maristela e Vilson, dando início a uma nova etapa na vida de todos.
“Desde o início até o final do processo de adoção, tivemos todo acolhimento e assistência da equipe multidisciplinar do Tribunal de Justiça”, conta Maristela sobre a atuação do Judiciário.
Segundo o casal, todos os irmãos mantêm contato e as respectivas famílias se comunicam através de um grupo de Whatsapp, fortalecendo esse vínculo familiar independente da distância física.
Para Lucas, a adoção representou a oportunidade de recomeçar. Grato pela família que o acolheu, ele acredita que o convívio ensina valores importantes, como respeito, obediência e honra aos pais. Segundo o adolescente, poder fazer parte de uma família significa crescer cercado de amor, cuidado e proteção.
“Existe uma ideia equivocada de que adoção é apenas para crianças pequenas. Mas os adolescentes têm muito afeto para dar e precisam receber cuidado, proteção e amor”, destaca a Desembargadora responsável pela Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ), Andréa Paula Matos de Miranda.
Atualmente, 314 crianças e adolescentes estão disponíveis à adoção na Bahia. Desse total, 60 participam da busca ativa, modalidade que dá maior visibilidade aos que aguardam, há mais tempo, por uma família, como grupos de irmãos, adolescentes e crianças com deficiência. Em todo o estado, há 1.286 pretendentes habilitados para adoção, conforme dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).
“Gostaria de falar para todos os habilitados em adotar para ficarem tranquilos em relação à adoção tardia”, compartilha Vilson. ” “É um processo desafiador, mas, com amor, carinho e dedicação, é possível. E tem dado certo”, afirma.
Justiça que protege
A história de Lucas evidencia a importância da atuação do Judiciário baiano, por meio da Coordenadoria da Infância e da Juventude, na garantia do direito das crianças e dos adolescentes que vivem à espera de uma família. Se você deseja fazer parte dessa história, confira o passo a passo para adotar, clicando aqui.