Para promover a preservação da memória histórica e a defesa dos direitos humanos, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) realizou, nesta quinta-feira (1º), o evento “80 Anos do Tribunal de Nuremberg”. A iniciativa rememorou as contribuições da série de julgamentos dos líderes do regime nazista por crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Hoje completam-se 80 anos da conclusão dos julgamentos pelo Tribunal Militar Internacional, ocorridos na cidade alemã.
O encontro contou com a palestra de George Legmann, sobrevivente do Holocausto e um dos raros bebês nascidos em um campo de concentração, além da participação do advogado e professor Flávio Bastos, pós-doutor em Direitos Humanos e professor visitante na Universidade de Nuremberg. Magistrados(as), servidores(as), estudantes e integrantes da sociedade civil encheram o Auditório Desembargadora Olny Silva.Para promover a preservação da memória histórica e a defesa dos direitos humanos, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) realizou, nesta quinta-feira (1º), o evento “80 Anos do Tribunal de Nuremberg”. A iniciativa rememorou as contribuições da série de julgamentos dos líderes do regime nazista por crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial.
Organizada pela Comissão Permanente de Gestão de Memória do TJBA, a programação abordou os reflexos dos julgamentos para o desenvolvimento do Direito Penal Internacional e sua influência na criação de tribunais internacionais.



O 2º Vice-Presidente, Desembargador Mário Albiani Júnior, representou o Presidente da Corte – Desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano – e destacou o papel do Poder Judiciário em realizar eventos que fortaleçam a democracia e os direitos humanos.
“A história de Nuremberg reforça a ideia de que até os piores crimes da história devem ser julgados segundo as regras. Nenhum ser humano está fora da proteção do Direito”, declarou.
Além do magistrado, compuseram a mesa de abertura: o Presidente da Comissão Permanente de Gestão de Memória do TJBA, Desembargador Cássio Miranda; o Presidente da Comissão de Promoção de Direitos Humanos do TJBA, Desembargador Lidivaldo Reaiche; o Diretor da Confederação Israelita do Brasil, Oscar Jaroslavsky; o Presidente da Sociedade Israelita da Bahia, Mauro Brachmans; e o Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Joaci Góes.


O Desembargador Cássio Miranda enfatizou o compromisso do Poder Judiciário de fazer com que grandes momentos históricos não caiam no esquecimento. Segundo o magistrado, o Tribunal de Justiça da Bahia cumpre o dever de lembrar fatos relevantes como uma advertência para o futuro. “O nazismo não morreu; morreram apenas alguns nazistas”, aponta.
O professor e advogado Flávio Bastos apresentou ao público os detalhes do marco histórico, propondo reflexões acerca dos avanços jurídicos. “Nuremberg mostrou ao mundo que é possível que a justiça seja feita no plano internacional. É importante lembrar que nem todo discurso de ódio acaba em genocídio, mas todo genocídio começa com um discurso de ódio”, acrescenta.
Memória e arte
Ao longo do mês de outubro, o Judiciário baiano sedia a exposição “Eles nos deram esperança de novo – gravidez e nascimento no subcampo Kaufering 1, Dachau”. Idealizada pelo governo alemão, a mostra conta a história de sete bebês nascidos no final da Segunda Guerra Mundial em Dachau – o primeiro campo de concentração da Alemanha nazista – e de suas mães.

Após exibição inédita no Senado Federal, a mostra chega à Bahia pela primeira vez e seguirá para outros estados. Para George Legmann – homenageado pela iniciativa –, a obra dialoga com os pilares da Justiça. “É uma exposição que serve para conscientizar e para que nunca aconteça com nenhum povo”.
A exibição segue até esta sexta-feira (2) no salão de entrada da sede do TJBA. De 5 a 29 de outubro, estará no Fórum Ruy Barbosa. A visitação é gratuita.
História de George Legmann

FFilho de Elisabeth Legmann e Josif Legmann, George nasceu no dia 8 de dezembro de 1944. Após o fim da guerra, em 1945, sua mãe e sua avó retornaram à Romênia, país onde viviam anteriormente, levando o pequeno George nos braços.
Hoje aos 81 anos, emocionado, ele conta que a história da família foi um raro acontecimento. “Somos uma exceção, fomos com duas gerações e voltamos com três”.
Anos se passaram e, em 1961, a família Legmann veio para o Brasil. Após governos europeus incentivarem a imigração para o território latino-americano, Legmann narra que, depois de uma longa viagem marítima, eles aportaram no país. Com muito carinho, Legmann relata a emoção de chegar ao solo brasileiro. “Minha mãe viu o Cristo Redentor e pensou: que belo país, mal nos conhece e já nos recebe de braços abertos”, contou, emocionado.
Engenheiro químico de formação, George Legmann dedica parte da rotina a combater o antissemitismo e defender os direitos humanos. Em palestras, entrevistas e participações especiais, ele reitera a importância de combater qualquer tipo de violação de direitos e fomentar a democracia, além de estimular a participação da juventude nas decisões sociais.