Com a presença das organizadas, TJBA lança curso de formação para prevenir conflitos no futebol 

Com a presença das organizadas, TJBA lança curso de formação para prevenir conflitos no futebol 

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) lançou um curso de formação destinado ao público esportivo com a finalidade de prevenir conflitos no futebol baiano. A novidade foi apresentada nesta terça-feira (22), durante o seminário “Futebol em Círculo: Justiça Restaurativa no contexto socioesportivo”, um encontro preparatório na sede do TJBA que reuniu representantes do Poder Judiciário, do Esporte Clube Bahia, e do Esporte Clube Vitória, das torcidas organizadas Bamor (Bahia) e Os Imbatíveis (Vitória), do Ministério Público da Bahia, da Defensoria Pública do Estado, da OAB-BA, da Polícia Militar e da Federação Bahiana de Futebol.  

O curso será realizado ao longo de cinco dias no mês de outubro e utilizará técnicas de Justiça Restaurativa, método que dá voz ativa a todos os envolvidos, em busca de soluções e de restauração da convivência. Promovida por meio do Núcleo de Justiça Restaurativa de 2° Grau e do Cejusc Restaurativo da Lapinha, a formação destina cerca de metade das vagas às torcidas organizadas da dupla Ba-Vi e as demais para as outras instituições participantes. As aulas ocorrerão na Unicorp-TJBA. 

“Existem conflitos, tanto que os clássicos estão sendo realizados com torcida única. Evidente que não vai ser só a Justiça Restaurativa que vai corrigir, mas é uma das pautas que nós devemos utilizar para tentar criar um clima esportivo no evento esportivo, ao invés de ser um clima de guerra”, pontua a Desembargadora Joanice Guimarães, Presidente do Núcleo de Justiça Restaurativa de 2° Grau. “Essa é uma reunião de sensibilização. Depois vamos fazer o curso para que as pessoas que acolherem essa ideia se tornem facilitadores e, quando elas estiverem no meio das torcidas organizadas, não deixem que os conflitos eclodam”, detalha. 

O servidor aposentado do TJBA, Expedito Carlos Lopes, é o idealizador do curso e um dos instrutores, assim como a Juíza Fausta Cajahyba, Coordenadora do Cejusc Restaurativo da Lapinha, e a instrutora de Justiça Restaurativa e Mediação Judicial do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), Jaklane Almeida. 

“O objetivo do curso é unir todos os atores que possam resolver um problema complexo que é a violência no futebol. Problemas complexos precisam ser resolvidos em rede. É a única forma”, explica a magistrada Fausta Cajahyba.  

O encontro de hoje ainda incluiu explanações feitas pelo Desembargador Lidivaldo Reaiche, Presidente da Comissão de Igualdade, Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos Humanos do TJBA; e pela Promotora de Justiça do MPBA Thelma Leal, integrante do Grupo Nacional de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios.  

Também contribuíram com o debate a Desembargadora Nágila Brito, Presidente da Coordenadoria da Mulher do TJBA; o Desembargador Militar Fábio Duarte Fernandes, que comandou a Brigada Militar do Rio Grande do Sul durante a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil; a Defensora Pública Laura Fagury; o Vice-Presidente do Esporte Clube Vitória, Djalma Abreu;  o Coordenador de Operações e Segurança do Esporte Clube Bahia, Bruno da Hora; o Comandante do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos da Polícia Militar da Bahia, Tenente-Coronel Flávio Farias; o Vice-Presidente da Federação Bahiana de Futebol, Manfredo Lessa; o Sub-Presidente da Torcida Bamor, Luciano Venâncio; e o Diretor da Torcida Os Imbatíveis, Márcio Ribeiro. 

Os representantes das duas torcidas presentes se colocaram a favor do fim da torcida única, vigente no estado desde 2018, e se colocaram à disposição para buscar uma solução. Ambos pontuaram que as brigas ocorrem longe dos estádios, nos bairros de Salvador e da região metropolitana, em um contexto que envolve não apenas futebol, mas segurança pública. 

“É muito importante o Judiciário estar se aproximando mais dessa questão porque não fomos nós que criamos a violência. É um problema da sociedade e nós somos frutos da sociedade. A gente acredita que toda construção conjunta para resolver o problema da segurança é fundamental”, afirmou Márcio Ribeiro, da organizada rubro-negra. 

“Falo em nome de toda a diretoria da Bamor que estamos empenhados a discutir e debater qualquer tipo de conversa relacionada ao assunto. Eu quero voltar ao estádio com as duas torcidas, tanto no Barradão quanto na Fonte Nova”, declarou Luciano Venâncio, da organizada tricolor. 

Em 23 de agosto, data do último clássico Ba-Vi realizado, um integrante da Bamor foi morto após ser atacado por membros da Os Imbatíveis na Avenida 29 de Março, horas antes de o jogo começar no Barradão. Seis torcedores foram presos. 

Além da apuração criminal dos indivíduos em andamento, as duas torcidas enquanto instituições foram suspensas de frequentar os estádios durante seis meses. A punição foi imposta pela Polícia Militar e entrou em vigor no dia 3 de setembro.