TJBA se prepara para utilizar IA que gerencia recursos dirigidos aos tribunais superiores 

TJBA se prepara para utilizar IA que gerencia recursos dirigidos aos tribunais superiores 

A partir da próxima semana, a 2ª Vice-Presidência do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) passará a utilizar o sistema Hannah, inteligência artificial desenvolvida para auxiliar na análise e na gestão de recursos dirigidos aos tribunais superiores. Para assegurar o correto uso da ferramenta, magistrados e servidores da unidade participaram de um treinamento nessa quarta-feira (23). 

Realizado no laboratório da Universidade Corporativa Ministro Hermes Lima (Unicorp-TJBA), o treinamento foi ministrado por representantes do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT), que apresentaram o funcionamento do sistema e demonstraram como a ferramenta realiza a triagem inicial dos documentos e organiza as informações necessárias à elaboração das minutas. 

O 2º Vice-Presidente do TJBA, Desembargador Mário Albiani Júnior, destacou o caráter colaborativo da iniciativa e o compromisso com a qualidade das decisões. “A adoção do Hannah é fruto da cooperação entre tribunais e do incentivo do CNJ à inovação no Judiciário. A tecnologia chega para apoiar o trabalho de magistrados e servidores, e não para substituí-lo. A análise e a decisão continuam sendo humanas. O que ganhamos é tempo para nos dedicarmos ao que exige reflexão jurídica, com respostas mais rápidas e mais uniformes para o cidadão que aguarda o andamento do seu recurso”, afirmou.

Para a Juíza Assessora da 2ª Vice-Presidência, Maria Claudia Salles Parente, o Hannah trará mais celeridade à prestação jurisdicional. “O tempo médio de elaboração de uma decisão está em 70 a 90 dias. Nós estamos dentro do prazo de 120 dias estabelecido pelo CNJ, mas é um prazo ainda de 70 a 90 dias. Então, nós esperamos reduzir drasticamente esse prazo”, afirmou. 

Segundo a magistrada, o sistema será adaptado para atender as especificidades do TJBA. “A gente vai adaptá-lo para a nossa realidade, para a nossa forma de trabalhar e, a partir daí, vamos começar a desenvolver”, explicou. “Acredito que isso vai transformar o trabalho da admissibilidade de recurso na 2ª Vice-Presidência”. 

Hannah automatiza tarefas e apoia elaboração de minutas

Desenvolvida originalmente pelo TJMT e nacionalizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ferramenta de IA Hannah é uma tecnologia destinada a otimizar a admissibilidade de recursos direcionados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O TJBA é o primeiro tribunal do país a adotar o sistema.   

Por meio da análise automatizada e sistematizada de peças processuais, ela agiliza tarefas repetitivas, identifica padrões e sugere minutas de decisão, reduzindo de forma significativa o tempo de tramitação dos processos. Essa automação não substitui o julgamento humano, mas atua como um suporte estratégico para magistrados e servidores, promovendo maior celeridade, eficiência e padronização na gestão de dados e fluxos de trabalho do Poder Judiciário brasileiro.