Mais do que sediar parte da programação do projeto Justiça em Território, a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus, promoveu reencontros, resgate de memórias e o fortalecimento da parceria entre o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e uma das principais instituições de ensino superior do estado. Ao longo desta sexta-feira (24), o campus reuniu magistrados, servidores, estudantes e comunidade acadêmica em uma iniciativa voltada à ampliação do acesso à Justiça e ao diálogo com a população.
De maneira inédita na história do Judiciário baiano, uma sessão do Órgão Especial – colegiado que reúne 25 desembargadores – foi realizada fora de Salvador, no auditório da UESC. O retorno ao espaço teve um significado especial para o Presidente do TJBA, Desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, egresso da antiga Faculdade de Direito de Ilhéus, então vinculada à Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (FESPI), instituição que deu origem à atual UESC.
Emocionado ao revisitar o campus onde iniciou sua formação jurídica, o Desembargador Presidente destacou o papel determinante da universidade em sua formação pessoal e profissional. “Retornar a este campus não é apenas cumprir uma agenda institucional, é rebobinar um longo filme de minha vida”, afirmou o magistrado.
O Desembargador José Rotondano agradeceu à UESC por acolher a programação do Justiça em Território e ressaltou a relevância da parceria entre o Poder Judiciário e as universidades públicas, destacando que a aproximação entre as instituições fortalece a produção de conhecimento e amplia a capacidade de desenvolver ações voltadas ao benefício da comunidade.
O vínculo entre o Tribunal de Justiça da Bahia e a universidade também se reflete na trajetória de outras integrantes da Corte do Judiciário. A Desembargadora Maria de Fátima Silva Carvalho ingressou na antiga FESPI em 1977 e guarda da instituição lembranças que considera fundamentais para sua formação, além de importantes memórias pessoais vividas em Ilhéus.
Situação semelhante à da Desembargadora Carmem Lúcia Santos Pinheiro, mais uma egressa da Faculdade de Direito de Ilhéus na época em que a instituição era incorporada à FESPI. Ela mantém uma forte relação afetiva com a cidade e com a Universidade Estadual de Santa Cruz, onde sua irmã atua como docente.
Ao receber a comitiva do Tribunal de Justiça, o Reitor da UESC, Alessandro Fernandes de Santana, enalteceu o significado do momento vivido nesta sexta-feira. “A Justiça hoje se transformou. Ao presenciar aqui o Presidente da mais alta Corte baiana emocionar-se ao falar da sua mãe e da universidade na qual se graduou, dá-nos, enquanto sociedade, algo muito especial: a demonstração de que, por baixo dessas togas, existem seres humanos com histórias, e são essas histórias que marcam a vida das pessoas”.
Criada em 1991, a UESC reúne cerca de 10 mil estudantes, oferece 40 cursos de graduação e já formou mais de 40 mil profissionais. Instalada em um campus que há mais de cinco décadas integra a história da região sul da Bahia, a universidade acolheu as atividades do projeto Justiça em Território em um cenário que simboliza o encontro entre conhecimento, cidadania e compromisso público.
Assim como Ilhéus, cidade eternizada nas obras de Jorge Amado e reconhecida por sua hospitalidade, a UESC recebeu magistrados, servidores e cidadãos em um ambiente de diálogo e construção coletiva. A programação se encerra hoje à tarde, com o “Ciclo de Palestras: Temas desafiadores do Judiciário contemporâneo”.