TJBA resgata importância das lutas populares e da atuação da Corte em palestra sobre 2 de julho 

TJBA resgata importância das lutas populares e da atuação da Corte em palestra sobre 2 de julho 

A importância do 2 de Julho para o Brasil foi o tema de uma palestra promovida pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) em parceria com o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). O evento reuniu pesquisadores, historiadores e magistrados na sede do instituto, na Piedade, na tarde de quarta-feira (19). As discussões destacaram a memória das lutas populares que moldaram a identidade nacional e o papel do Poder Judiciário neste processo.  

A palestra foi ministrada pelo Presidente do IGHB, Joaci Fonseca de Góes, e mediada pelo Presidente da Comissão de Gestão de Memória do TJBA, Desembargador Cássio José Barbosa Miranda. Na mesa de honra, também estiveram os Desembargadores Lidivaldo Reaiche Raimundo Britto, José Jorge Lopes Barretto da Silva, Paulo César Bandeira de Melo Jorge, Alberto Raimundo Gomes dos Santos e Abelardo Paulo da Matta Neto, além do presidente de honra do IGHB, Eduardo Morais de Castro.  

O 2 de julho é um marco histórico que consolida, definitivamente, a Independência do Brasil. As lutas populares que culminaram neste evento revelam o papel decisivo da Bahia na construção da soberania nacional. “O Brasil seria muito diferente se não tivesse se concretizado o Dois de Julho”, adverte o Presidente da Comissão de Memória do TJBA, Cássio Miranda. Ele afirma que é papel da Comissão levar para a sociedade a importância dos acontecimentos históricos. “Um povo que não conhece sua história, está condenado a repeti-la”.  

A importância do 2 de julho para a história nacional foi reconhecida, recentemente, pela Lei Federal nº 15.454/26. A normativa determina que Salvador é sede simbólica do Governo Federal no dia 2 de julho de cada ano. A data é marcada por atos oficiais e cívicos na capital baiana. De acordo com o Desembargador Lidivaldo Britto – autor do livro “Julgamentos e Fatos Históricos do Tribunal da Relação do Brasil” –, o Tribunal de Justiça teve papel decisivo na luta histórica baiana.  

Após a libertação da Bahia, três desembargadores atuaram no governo interino de Cachoeira, apesar do risco de condenação à pena de morte: Antônio José Duarte de Araújo Gondim, Francisco Ayres de Almeida Freitas e Antônio Augusto da Silva. “Naquela época, não havia restrição para que desembargadores ocupassem cargos políticos”, explica o Desembargador Lidivaldo Britto. 

Durante a palestra, o Presidente do IGH, Joaci Góes, lembrou que a luta mais importante para a independência do Brasil na Bahia aconteceu em 8 de novembro de 1822, a chamada Batalha de Pirajá. O confronto armado garantiu a vitória das forças brasileiras, que impediram os portugueses de furar o cerco a Salvador. O historiador, também, registrou a importância da participação popular nos conflitos. “Muitas figuras anônimas participaram das lutas, mas seus nomes se perderam na história”, afirmou.