O Tribunal do Júri da Comarca de São Desidério, no oeste da Bahia, condenou o réu Manuel Alejandro Bordon a 78 anos, 6 meses e 15 dias de prisão em regime inicial fechado. A pena é resultado da soma das condenações por três crimes: o feminicídio de H.N.W., sua companheira; o homicídio qualificado de C.S.W., seu sogro; e o feminicídio tentado contra Ha.N.W, sua cunhada.
O crime aconteceu na casa da família, na zona rural de São Desidério, em dezembro de 2024, e as vítimas foram atingidas por golpes de faca. O júri popular aconteceu na última segunda-feira (8).
A sentença é resultado da análise feita pelos jurados, que reconheceram como uma das causas para aumento de pena o fato de o crime ter sido praticado na presença dos filhos.
A pena também foi aumentada porque os jurados entenderam que o homicídio de C.S.W. (que tentou socorrer a filha) foi cometido para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime – no caso, o feminicídio de H.N.W.
Além de aplicar as penas, a Juíza Bianca Pfeffer decretou a perda do poder familiar do condenado em relação às crianças que presenciaram os fatos. Também foram expedidos ofícios à Polícia Federal e ao Ministério da Justiça para que averiguem a validade do visto do réu, já que tem nacionalidade argentina.
O julgamento integra a 3ª edição do Projeto Mais Júri, promovido pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) com o objetivo de ampliar a realização de sessões de júri e, por consequência, diminuir o tempo de tramitação dos processos envolvendo crimes dolosos (intencionais) contra a vida.
Instituído por meio do Decreto Judiciário nº 353/2026, o projeto é um dos pilares estruturantes da gestão 2026-2028, sob o comando do Desembargador Presidente José Rotondano. Até o final de maio, foram realizadas 431 sessões em 2026.
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